sábado, 9 de janeiro de 2010

Aconcágua - Dia 1: trekking a Confluência


Puente del Inca pela manhã.

Chegou o grande dia. Acordamos as 6hs da manhã com o objetivo de sair bem cedo para evitar ao máximo o sol forte. Tomamos um "desayuno" improvisado e pedimos ao pessoal da cozinha do hotel 2 sanduíches para levar. Antes de sair, ainda descartamos mais alguns itens de nossos pertences, os quais deixamos em uma sacola com cadeado com a recepção (já tínhamos feito o mesmo em Uspallata, ou seja, ficamos com equipamentos espalhados pela Argentina para recolher na volta, tudo com o objetivo de reduzir o peso na montanha).


Entrada do Parque na Ruta 7.



Guarda-parque em Horcones.

As 7h50 iniciamos nossa marcha de 3km pela Ruta 7 em direção ao Parque Provincial Aconcágua, pela mesma estrada que leva ao Chile. Em aproximadamente 1h10 chegamos a entrada do parque, para caminhar por mais 2km, novamente morro acima, até a área do guarda-parque para apresentação dos "permissos" e início do trekking a Confluência propriamente dito. Chegamos no local as 9:34 e partimos as 9:50 após a apresentação da documentação e obtenção do saco de lixo, onde deveriam ser armazenados todos resíduos para entrega de volta na saída. Este primeiro posto de guarda-parque encontra-se já a 2.950m de altitude e possui atendimento médico e equipe de resgate, com helicóptero de prontidão.


Helicóptero para transporte e resgate.

Apesar de um desnível de apenas 450m distribuídos ao longo de 8,7km, a trilha até Confluência, o primeiro acampamento base para se chegar ao topo do Aconcágua, já exige um esforço considerável. A trilha, em boa parte do tempo no espaço certo para uma pessoa, vai acompanhando o vale e o rio Horcones (o mesmo que vimos na estrada), em partes planas e agradáveis, e em subidas íngremes e desafiadoras. Aos poucos a vegetação vai mudando, e algumas plantas e flores começam a dar lugar a cactos e pedras. Mesmo assim, até o final, a vegetação rasteira é constante, ao menos nas encostas das montanhas.


Caminho para Confluência.

O visual é um espetáculo. Em pouco tempo você já está envolto por montanhas de diferentes cores, formatos e "texturas". Algumas mostram claramente que se ergueram a partir da colisão entre as placas da crosta terrestre, pois as camadas de rocha que estamos acostumados a ver em canions na horizontal, estão na diagonal, apontando 45 graus ou mais de inclinação em direção ao céu. Ao fundo, em direção norte, sempre presente uma montanha completamente branca de neve, imponente: o Aconcágua.

A montanha mais alta do mundo fora da Ásia, com 6962m de altitude, e que inicialmente se pensava ser um vulcão devido a "fumaça" constante saindo de seu topo (que na verdade se revela sendo o vento forte levantando a neve no local), tem a origem do seu nome nos termos incas "Ackon", de pedra, e "Cahuak", o que vigia, batizando assim o "Sentinela de Pedra".


Passarinhos pedindo lanche.

Nossa primeira parada para descanso (sem contar as inúmeras paradinhas a cada terreno mais íngreme para tomar fôlego), aproximadamente as 12:15, é na ponte pensil de madeira e aço construída durante as filmagens de "Sete Anos no Tibet". Sentamos em algumas pedras próximas, antes de cruzá-la, para lanchar os sanduíches preparados no hotel. Logo que começamos a comer chegaram algun visitantes. Aliás, moradores locais: um grupo de passarinhos, amarelos, marrons, de cabeça verde, descaradamente querendo compartilhar nosso lanche. Acabamos nos surpreendendo com a coragem e a vontade dos mesmos, que realmente se aproximaram brigando por algumas migalhas, a ponto de pegá-las diretamente das mãos da Gisele. Acabamos ficando por ali e nos divertindo com eles por uns 20 minutos.


Ponte pensil sobre o Rio Horcones.

Retomada a caminhada e cruzada a ponte, começamos a sentir os efeitos da altitude conforme esta aumenta. Uma caminhada normal com uma mochila cargueira, pesada, nas costas já exige um bom fôlego. Com o ar cada vez mais rarefeito ainda mais. A trilha vai ficando mais íngreme e mais rochosa, e os bastões de caminhada acabam se revelando nossos maiores companheiros da aventura, já que facilitam muito o apoio nas escadas naturais, barrancos íngremes e descidas mais complicadas.


Em algum ponto a 3012m, e subindo!

Durante o trajeto cruzamos com muitas pessoas, algumas descendo de Confluência e outras, mais leves ou mais preparadas, nos ultrapassando em direção ao acampamento base. É constante também o tráfego de mulas, empurradas por cavaleiros mendocinos que as tocam ao som de "iuhiii", "uuhaaa", "bamos", "uooo" e assim por diante. As mulas sobem carregadas, transportando equipamentos, alimentos e utensílios para os acampamentos e para os montanhistas que pretendem chegar ao cume.


Cavaleiro e mula correndo para o acampamento base.

Após 6 horas de caminhada (sendo 4hs30min na trilha), várias paradas para fotos e descanso, chegamos a uma área mais aberta e de pouco aclíve, com um rio Horcones menos intenso, e, após uma longa curva avistamos finalmente a bandeira da Argentima, a cabana dos guarda-parques e as inúmeras barracas coloridas do Acampamento Base Confluência, denominado assim por dividir neste ponto as rotas para Plaza Francia e Plaza de Mulas, conforme a escolha de ascensão ao cume.


Confluência ao fundo.

Na chegada, novamente vamos direto apresentar nossa documentação e solicitar orientação para montar acampamento. Os guias nos indicam o local público para montar a barraca (alguns pontos são reservados às agências prestadoras de serviço), o local de "baño" público (neste caso banheiro somente, ou melhor, uma casinha com aquelas latrinas em que se fica acocado) e o local para obter água. Em confluência, a água é livre e abundante, basta ir até uma mangueira da largura de uma bola de tênis e pegar. A água vem do rio Horcones, em um ponto a quilômetros de distãncia dali, e é potável e em temperatura ambiente: quente durante o dia e gelada pela noite e manhã.


Almoço/Janta: massa e lentilhas.

Após montarmos rapidamente nossa barraca, e fixá-la amarrando-a em pedras para que não voasse com o vento, vamos direto preparar nosso almoço/jantar: uma bela massa com molho vermelho e uma lata de lentilhas cozidas. Após a deliciosa janta de acampamento, enquanto relaxava um pouco dentro da barraca, escuto um brasileiro procurando por "Rodrigo". Eis que tive o prazer de conhecer ao vivo, após um bom tempo de conversas pela internet, o querido fotógrafo e montanhista André Dib, que estava em Confluência na mesma data em aclimatação para tentar o cume junto a dois amigos.

Ficamos por ali conversando por um bom tempo, sobre os prognósticos da montanha, preparação, serviços das agências, temores e ainda dicas do André para o restante da nossa viagem ao Chile e Argentina. A conversa foi muito bacana, além de confirmar a grande pessoa que é o Andrém, sempre disposto a conversar e ajudar. Vamos ficar aguardando ansiosos pelas fotos do André do cume, feito ainda inédito na sua carreira (aliás André, faltou uma foto nossa!!!).


Vista da nossa barraca.

Por fim, 21:30 aproximadamente resolvemos nos acomodar na barraca, já que estava começando a esfriar e o cansaço não era pouco. Apesar do horário avançado, ainda era possível ler um livro, dentro da barraca, apenas com a luz do "dia". O sol se pôs por completo lá pelas 22hs. Adormecemos.

Mais fotos no Flickr.

De Uspallata para Puente del Inca


Uspallata deserta pela manhã.

Saímos de ônibus de Uspallata as 8h30 da manhã do dia 04 em direção a Puente del Inca. A estrada por sí só é um show a parte. Vamos ingressando ainda mais no meio das montanhas, passando por cenários cada vez mais belos. Nos chamou muito a atenção o vilarejo de Potrerillos, onde o ônibus entrou para pegar algumas pessoas. Parece um local extremamente calmo, a beira de um imenso lago que reflete o sol e as montanhas.

O lago é alimentado pelo rio Horcones, que tem sua origem nas águas de degelo dos Andes, e acompanha praticamente toda a viagem, com suas águas turbulentas, propícias para o rafting e a canoagem, oferecidos por empresas locais. Nosso ônibus, inclusive, deixou na estrada um rapaz com um caiaque de águas brancas, pronto para encarar as corredeiras.

Já está anotado para uma próxima visita a região a hospedagem em Potrerillos e um rafting no Horcones. Outras duas ambições que se formaram no trajeto, foram a travessia dos Andes, pela mesma estrada, de bicicleta ou mesmo a pé. No outro lado da margem do rio, encostado nas montanhas, segue um trilho de trem desativado, que passa por barrancos, pontes de pedra e pequenos túneis escavados na rocha, que literalmente chamam para um passeio com mais calma (ou de mais aventura) para apreciar mais a fundo a região.


Chegada a Puente del Inca.

Chegando a Puente del Inca, a primeira coisa que fizemos foi procurar hospedagem, pois não tinhamos nada reservado e nossa intenção era podermos descansar um dia a mais antes de partir para o Aconcágua. Fomos direto a Hosteria Puente del Inca, a principal opção de hospedagem no local (há também um hostel e um modesto camping). A movimentação de saída do hotel era intensa, a maior parte de pessoas saindo com grandes mochilhas e grandes sacos de equipamentos, denunciando seu próximo destino ou, quem sabe, o anterior. Enquanto esperávamos a liberação de um quarto para o check-in, conhecemos um brasileiro, paulista, que estava de saída do hotel e acabara de descer do Aconcágua no dia anterior.


A "Puente del Inca" ao fundo.

Eram 11hs da manhã e Milani ia esperar o ônibus para Mendoza até as 20hs. Começamos a conversar então sobre a sua passagem pelo Aconcágua. Milani já estivera na montanha em 2003 e desta vez retornara para tentar o cume com mais dois amigos. Entretanto, um dos seus companheiros sofreu com o "Mal Agudo da Montanha" (MAM) após o trekking de aclimatação à Plaza Francia, e resolveram então abortar a expedição. A partir dali continuamos conversando sem parar, sobre dicas sobre o Aconcágua, livros, mapas e aventuras de ambas as partes. O paulista, de origem nipônica, acabou sendo nosso guia em Puente del Inca, nos levando não somente ao ponto tradicional das ruínas do hotel que desabou em um terremoto, mas a outros locais bacanas no entorno. É interessante comentar que a ponte natural ao lado das ruínas do hotel provavelmente teve sua formação originada em uma ponte de gelo que foi recebendo sedimentos das águas do Horcones e do solo ao redor, em um processo biológico e mineral. A ponte é formada por camadas de minerais e algas e tem sua coloração fortemente amarelada pelo óxido de ferro presente no solo local.


No trilho do trem.

Tivemos assim, com a companhia do Milani, dois momentos clássicos de verdadeiros "supertramps": caminhar em um ambiente árido e calorento sobre os trilhos de um trem (embalados mentalmente pela música "Hall of Mirrors" do Kraftwerk, trilha sonora de um comercial da Starsax da década de 80, com cenário semelhante) e encontrar o nosso próprio "magic bus", onde pudemos fazer algumas fotos em uma homenagem a "Alexander Supertramp", cuja história foi contada pelo montanhista John Krakauer no livro "Into the Wild" (que virou filme nas mãos de Sean Penn com trilha sonora de Eddie Vedder do Pearl Jam).


"Magic Bus"

Visitamos ainda o cemitério andino, onde estão fixadas diferentes placas, lápides, crucifixos e outros marcos em lembrança e homenagem aos montanhistas que vieram a falecer nas montanhas, principalmente no Aconcágua. Impossível não se emocionar e refletir sobre o significado das conquistas e derrotas frente aos desafios que buscavam. Entre as homenagens, a do brasileiro Mozart Catão, falecido em 1998 em tentativa de escalada ao pico mais alto das Américas.


Placa em lembrança a Mozart Catão no cemitério andino.

Por fim, antes de nos recolhermos ao hotel para jantar e descansar para o primeiro dia na montanha, ao pararmos em um bar local para nos reidratarmos, encontramos ainda a belga, filha de espanhol, Amalia Martinez, com a qual dividimos eu e a Gi o quarto no hostel em Uspallata. Amalia está há 7 neses na Argentina, aprendendo espanhol e viajando por diferentes regiões. Já tinhamos nos impressionado antes com a alemã Annika, em Córdoba, de apenas 20 anos, viajando sozinha pela América do Sul. Amália acabou de se formar no segundo grau, na bélgica (pronunciado "béuhíca" pela própria), e estava completando 19 anos de idade a meia noite deste mesmo dia. Eu e a Gi chegamos a conclusão que temos que correr muito ainda para recuperar vários anos parados!



Amália, Gisele, Milani e eu.

Mais fotos no Flickr.

domingo, 3 de janeiro de 2010

De Mendoza a Uspallata




A estrada de Mendoza para Uspallata já enche os olhos, os Andes começam a surgir, a pré-cordliheira em tons de verde, marrom, amarelo e mas ao fundo as montanhas mais altas com o topo branco da neve. Acredito que já vimos o Aconcágua, uma montanha bastante nevada e imponente.




Chegamos as 10hs em Uspallata e dpois de largar as coisas no hostel, fomos fazer uma trilha que nos indicaram da "Via Crucis", em umas montanhas desérticas na pré-cordilheira, a 2km da cidade. Uspallata é mto legal, mtas coisas de aventura pra fazer: rafting, aluguel de mountain bike, cavalgadas... dá pra ficar um bom tempo só aqui. Subimos acho que uns 600m mais nessas montanhas (Uspallata já está a 1800m) até uma cruz fixada no topo (e passamos várias cruzes no meio do caminho). Ambiente de deserto, vegetação mto rasteira e espinhosa, totalmente seco e muitos cactos.













A visão lá de cima dos Andes é sensacional, indescritivel. Deu pra ver uma parte do topo do Aconcágua, todo coberto de neve. é mto lindo. A cidade lá embaixo é literalmente um oásis verde no deserto.




Amanhã 8h30 vamos para Puente del Inca e acho que vamos descansar lá 1 dia antes de começar a trilha do Aconcágua, pois ficamos cansados hoje, foram 5hs caminhando no deserto e sol.






Dia 09 voltamos pra cá a noite (provavelmente quando poderei postar novamente) e dia 10 de manhã cedo pegamos o ônibus para Santiago (não tinha direto de Puente del Inca). É isso, a viagem está deslumbrante. Queremos voltar certo outra vez para Uspallata.

Mendoza: preparação para o Aconcágua


Secretaria de Turismo (sala exclusiva para venda dos permissos ao Aconcágua).

Chegamos hoje em mendoza as 9h30 de ônibus e fomos direto à Secretaria de Turismo para adquirimos os "permissos" para realizar o trekking no Aconcágua. Nos surpreendemos com a quantidade de pessoas no local, todos estrangeiros. Havia um grande grupo de alemães, e acabamos também conhecendo um casal americano, que estava vindo de Sacramiento, Califórnia, para conquistar o cume. O Lewis falava muito bem português (aliás ele que se aproximou quando nos ouviu conversando), pois quando mais jovem morou por dois anos em São Paulo.


Com nossos permissos em mãos.

Após pagar as tarifas (AR$ 400.00 para o trekking longo de até 7 dias) nos dirigimos a uma das várias lojas de equipamentos de montanhismo em Mendoza. Apesar de pequena, a "Aconcagua6962" tinha muitos equipamentos especializados e diferenciados do que estamos acostumados a ver em Porto Alegre. A vontade era de comprar tudo, ainda mais que os preços eram bem mais em conta do que no Brasil. Para se ter uma idéia, compramos 2 óculos de sol, de uma excelente marca para montanhismo (e cheio de estilo, com proteções laterais contra o sol) por 1/3 do valor no nosso país.


Comprando comida no Carrefour.

Após as compras (benzina, óculos, isqueiros, mapa e um livro muito completo sobre a montanha), fomos ao hotel fazer o checkin, deixar as mochilas e partir para as compras da alimentação para os 6 dias no Aconcágua. Só depois de ter tudo preparado é que relaxamos e fomos passear no centro da Cidade, mas com aquele frio na barriga e a vontade de chegar logo o dia de ir para a montanha. Realmente toda a movimentação, equipamentos, permissos e ver outros aventureiros nos deixou empolgados.


Monumento a San Martin (em praça homônima)

Mendoza é uma cidade bastante movimentada. Pudemos passear um pouco pelas praças centrais e por algumas ruas residenciais muito bonitas, com casas antigas e outras bastante modernas. A cidade é muito arborizada, e o sistema de canaletas em quase todas as ruas, por onde desce a água de degelo dos Andes para o abastecimento da população, é realmente muito engenhoso. Engraçado, antes, escrever a palavra "Andes" era algo distante, que não provocava emoções. Agora, dá para sentir a presença dos maciços e do Sentinela de Pedra as suas costas.


Sistema de canaletas para água de degelo.


Portões de entrada do Parque San Martin.

Amanhã, 7hs, é hora de pegar outro ônibus rumo a Uspallata, cidade que sediou hoje (03/01) o encerramento da Caminhada Mundial pela Paz e a Não Violência, que iniciou em 02 de outubro na Nova Zelândia. De acordo com os jornais daqui, a região entre Cristo Redentor (próxima a fronteira com o Chile) e Uspallata (incluindo Puente del Inca e Penitentes, próximo ao Aconcágua) estavam recebendo em torno de 15 mil pessoas de todas as partes do mundo. Estamos com medo de não conseguir lugar para dormir... mas... nada como o inesperado.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Passeio a Villa Carlos Paz


Rua no centro de Córdoba.

Neste dia 01 de janeiro de 2010, após comemorarmos timidamente na noite anterior a virada do ano em uma pequena pizzaria (um dos dois locais que encontramos aberto no centro), o dia iniciou com um ar frio e chuva na cidade de Córdoba.

Enquanto a Gi se preparou para ir correr no Parque Sarmiento, preparei novamente minha câmera para mais uma seção de fotos. Não deu 20 minutos após sairmos do hotel e a chuva parou, dando lugar a um céu ensolarado. Foi um dos melhores momentos do passeio até agora. Não que não esteja adorando todos os momentos que eu e a Gi estamos passando, cheio de coisas inéditas para os dois, mas poder andar sozinho pela cidade, dobrando qualquer esquina sem um traçado certo, sem horários, compromissos ou qualquer outra "interferência" foi simplesmente.... sublime.


Jardins no Parque Sarmiento

Após circular pelas ruas próximas ao centro e ao bairro "Nueva Córdoba", me dirigi também ao Parque Sarmiento. O parque é muito agradável e bonito, bastante arborizado, com um belo lago com patos, e vários cordobenhos curtindo a manhã de sol. Muitos estava caminhando, outros correndo, pedalando e alguns casais, mais ou menos joves, fazendo picnic em diferentes recantos. Fiquei um bom tempo sentado próximo ao lado, assistindo e fotografando algumas crianças com seus pais dando comida aos patos. Só fiquei com pena que o zoológico do parque estava fechado.


Ataque dos patos no Parque Sarmiento

Retornando ao Hotel próximo ao meio-dia, resolvi então comprar as passagens de microonibus para a Villa Carlos Paz. A viagem de 38km em direção a serra tomou apenas uns 50 minutos, apesar de algumas paradas na estrada devido ao grande movimento de veículos se dirigindo para lá ou para Costa Blanca, pontos tradicionais de veraneio local.


Vista do lago em um restaurante em Carlos Paz.

Carlos Paz é uma cidade muito semelhante às das nossas praias no sul, com muitos restaurantes, algumas "discoteques" e várias sorveterias. O grande atrativo é o Lago Roque, um imenso volume de água com prais de areias brancas e montanhas no outro extremo. Mas nos impressionou como estava baixo o volume de água. pelo que percebemos por vários barquinhos atracados no seco, uma vegetação intensa (grama) e estruturas de restaurantes e pousadas que claramente deveriam estar a beira da água. Conforme um taxista de Córdoba, o temo aqui também está "louco" e fazem 7 meses que não chove de verdade.


Calçada em toda a lateral do lago Roque.

Passamos então a tarde caminhando ao redor do lago, com direito a um Helado de "dos bochas" e uma soneca à sombra das árvores, retornando a tardinha para Córdoba para nos preparamos para pegar o Ônibus as 22hs rumo a Mendoza. Jantamos ainda na calçada de um ótimo restaurantezinho, com comida com toques orientais, o Mandarim. Saímos de Córdoba já com saudades.

Cidade de Córdoba

Córdoba é uma cidade bem interessante. Do alto, do avião, e na vinda do aeroporto ao hotel achamos bastante comum e até um tanto feia. Parecia um grande bairro industrial de Porto Alegre. Mas, ao chegarmos à área central da cidade, e na região de "Nueva Córdoba", a coisa mudou de figura.



Teato del Libertador

Dois fatos nos impressionaram: a valorização dos monumentos e demais patrimônios históricos (igrejas, museus, universidades, prédios do governo) e a presença massiva de policiais nas ruas. Os prédios históricos encontram-se impecáveis, pintados, limpos, muito bem conservados. Quanto a polícia, a cada quadra você encontra policiais (muitas mulheres) armados. Vários utilizando bermudas e com coletes de "Polícia Turistica". Você realmente se sente seguro e tranquilo para circular, usar a máquina fotográfica e passear relaxado, inclusive a noite.


Iglesia Catebral, el Cabildo a noite.

Tiramos o dia para caminhar pela cidade e visitar os principais pontos turísticos. Visitamos a praça San Martin (a uma quadra do nosso hotel), a Iglesia Catebral, el Cabildo, Basílica de Nuestra Señora de La Merced, Iglesa de La Compañia de Jesus, Universidade Nacional de Cordoba (a mais antiga do país), Iglesia y Monasterio de las Carmelitas Descalzas de San José "Las Teresas" e outros prédios culturais. Mas, devido ao feriado, todos fechados, com exceção da incrível Iglesia del Sagrado Corazón de Jesus (Padres Capuchinos), a mais bonita de todas, por fora, e certamente por dentro. A igreja é em estilo gótico, com muitos adornos externos e um interior com uma iluminação mágica. E bem em frente a Igreja, uma área de restaurantes e descanso (muitos bancos) ligada a um museu, chamada de Paseo del Buen Pastor. Terminamos a tarde tomando um "helado de dulce de leche" na bela avenida Ipólito Irrigoyen, que leva ao Parque Sarmiento, que pretendemos visitar amanhã.


Interior da Iglesia del Sagrado Corazón de Jesus

Já a noite, meio que uma decepção. Enquanto os pontos histórios estão ainda mais bonitos com a ilumincação, o restante da cidade ficou "xoxa". Mesmo sendo Ano Novo estava tudo vazio e fechado. encontramos apenas dois restaurantes abertos, e perguntamos por alguma comemoração pública com fogos e descobrimos que não tem, não é tradição na cidade. Mesmo assim, muitas pessoas comemoraram das sacadas dos prédios e com fogos de artifício.


Para este dia Primeiro, alem do Parque Sarmiento, nossa idéia é visitar a Villa Carlos Paz, localizada a 38km de Córdoba, que conta com um belo lago e várias opções de passeios e atividades ao ar livre. Já sabemos também, que Carlos Paz é o local onde acontece a maior comemoração do ano novo, com fogos a beira do Lago Roque. Só não fomos para lá porque o ônibus de retorno seria somente as 6hs da manhã. Ficou para outra.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Dia 1: Sufoco para partir para Córdoba

Hoje, 31 de dezembro de 2009, acordamos faceiros para partir para Córdoba e dar início às nossas férias, planejadas durante 3 meses (trekking no Aconcágua e outras aventura pela Patagônia chilena e argentina). Pegamos o Guido e a Cris que nos deixaram no aeroporto para ficarem com nosso carro. O vôo estava marcado para as 09h30 e chegamos as 07h40, bastante tranquilos para fazer o check-in, tomar café da manhã no aeroporto e ficar conversando com meus pais que foram se despedir de nós.

Ainda na fila do chek-in, um dos atendentes da companhia aérea veio verificar nossas bagagens de mão e documentos. Como não tinhamos passaporte (não é necessário nos países do Mercosul), entregamos tranquilamente minha carteira de habilitação (que contém RG e CPF) e a carteira profissional da Gi (com RG). E foi aí que iniciou o sufoco. O atendente avisou aos marinheiros de primeira viagem que a Polícia Federal apenas permite o embarque internacional com carteira de identidade ou passaporte, com um adendo: tínhamos 1 hora para ir em casa,buscar os documentos e nos apresentarmos novamente. Detalhe: moramos em um sítio em Viamão.

Para encurtar a história, a hora seguinte foi de correria e brigas no carro (por sorte meus pais chegaram bem na hora, pois o Guido já estava longe com meu carro), casa revirada para achar os documentos, corrida de volta ao aeroporto e chegada 1min. antes de fechar o check-in, mas com uma fila gigante. Por sorte, o balcão de chek-in teve problemas na impressora e teve que atender todos na fila, segurando o vôo por mais vários minutos. Bom, tudo certo né? Não! A atendente olha pro meu RG de 23 anos atrás e diz que a Polícia Federal provavelmente não ia aceitar a carteira nas condições que estavam (descolando)....aaaaaaaaaaaah... só sei que quando sentei na poltrona do avião, não sabia se ria ou chorava... ou tremia. Partimos.


Quando entramos no ônibus que nos levou ao embarque,
na hora em que a Gi ligou pro pai pra dizer que estava tudo OK!




Aeroporto de Carrasco, Montevideo - Uruguai


Eu, Gi e Annika, nossa amiga de vôo. Annika é alemã,
estava há 4 meses em Assunción, ficará 1 mês em Córdoba,
2 meses no Peru e mais 3 meses no Chile, em trabalho missionário.

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