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terça-feira, 22 de março de 2011

Península Valdez

A Península Valdez para mim era como se fosse um mito, uma lenda. Desde 1996 quando assisti a uma palestra de um mergulhador que veio com um grupo de amigos brasileiros e argentinos para este local para tentar mergulhar com baleias, nunca mais tirei da cabeça a idéia de vir até aqui um dia.

Pois neste último sábado, 19 de março de 2011, 15 anos depois, eis que rumei para conhecer a tão sonhada península. E não decepcionou. Ao contrário, surpreendeu pela beleza como tudo até agora na Patagônia.

Segui novamente de Ranger com um guia da agência Categoria Patagônia, já que o parque tem 300km de estradas de ripio para percorrer, juntamente com uma brasileira, Lisa, de Recife, e dois espanhóis, Daniel e Raquel. O guia, Martin, se mostrou uma grande figura, muito alegre e motivado, e grande conhecedor dos animais da região e de cada cantinho da Península, incluindo pontos fora da rota normal.

Partimos de Puerto Madryn as 7h30 da manhã e nos dirigimos direto para Punta Norte, com a intenção de chegarmos lá no horário da primeira maré alta e ficarmos o máximo possível de tempo para tentarmos avistar Orcas. Punta Norte é um local de reprodução de leões e elefantes marinhos, e as Orcas aproveitam as marés para realizarem ataques a praia para se alimentarem destes, chegando a tirar o corpo todo fora da água na beira da praia. A Península Valdez é o único local do mundo onde isto acontece (e apenas entre março e abril), e ter a oportunidade de assistir é algo realmente raro. Chegamos em Punta Norte as 10hs da manhã, e fomos direto para a área delimitada para observação da praia e da colônia de lobos marinhos.

Punta Norte

Loberia de Punta Norte

Fêmea e vários filhotes

Ao todo de 4 horas que ficamos no local, tivemos a oportunidade de ver em dois momentos, duas orcas passarem em frente a praia, subindo à superfície para respirar e, claro, em busca dos lobos. Na primeira vez, uma das orcas chegou a tentar um ataque através de um dos 3 canais por entre os arrecifes que estão em frente a praia (encobertos pela água na maré alta e totalmente a mostra na maré baixa, mudando completamente o cenário da praia), mas infelizmente um pouco longe. Na segunda passada, as duas orcas ficaram por mais de 20 minutos perseguindo e cercando um lobo marinho jovem, que resistiu o máximo que pôde aos ataques. Embora com pena dos lobos marinhos, é uma cena que impressiona e hipnotiza, pois mostra a natureza em sua forma mais selvagem e pura.

Filhotes brincando na maré baixa

Orca tentando um ataque, observada por um lobo marinho na praia

Um Peludo

De Punta Norte, após nos divertirmos ainda vendo as peripécias de alguns "Peludos", um tipo de tatu da região, seguimos rumo ao sul pela parte externa da Península, para conhecermos a Caleta Valdez, uma canaleta gigante por onde entra a água do mar e ficam também abrigados milhares de pinguins. Em todo o caminho, também foi possível observar famílias de Guanacos e de Choyques, uma ave parecida com a nossa Ema do Rio Grande do Sul.

Caleta Valdez

O grupo na Caleta Valdez (Lisa, Daniel, Raquel e Martin)

Grupo de Guanacos

Choyques

Da Caleta, partimos para o pequeno vilarejo de Puerto Pirâmides, com seus atuais 600 habitantes. Martin aproveitou a Ranger para nos levar por caminhos sobre dunas de areia, para um visual espetacular da pequena vila acima das falésias. O local é um paraíso para se descansar, com o mar praticamente parado como uma piscina, penhascos ao redor e uma bela extensão de areia onde várias pessoas tomavam banho de sol e de mar. Aproveitei para fazer um pequeno trekking deste ponto descendo por uma trilha entre as dunas e falésias, enquanto o resto do grupo seguiu de Ranger por outro caminho que contornava o vilarejo até a outra ponta.

A Ranger nas dunas de areia

Vista exclusiva de Puerto Pirâmides graças ao Martin

Em Puerto Pirâmides fomos ainda visitar uma outra "loberia", onde se fica bem acima da colônia de animais. Pudemos ver mais de perto os machos e fêmeas descansando em terra firme, enquanto os filhotes, arteiros como cachorros, brincavam dentro e fora da água, muitos destes entrando e saindo sem parar.

Loberia de Puerto Pirâmides

Terminamos o passeio assistindo a um pôr-do-sol fantástico, acompanhado do nascer da lua cheia no lado oposto. Indescritível. Ainda mais que, não sei o porque, o céu aqui na Patagônia parece gigantesco, maior do que normalmente vemos. É uma sensação incrível. Nosso passeio terminou as 21hs em Puerto Madryn, muito além do horário normal do tour, graças ao "buena onda" Martin que estava tão empolgado quanto todos nós com a paisagem e os animais, como se os visse pela primeira vez.

Pôr-do-sol na loberia de Puerto Pirâmides

Lua cheia nascendo no lado oposto.

terça-feira, 15 de março de 2011

Chegada em Trelew

Na segunda-feira (13), peguei o vôo das 6h05 em Buenos Aires em direção a Trelew, a cidade com aeroporto mais próxima da Península Valdez, local que há muitos anos penso em visitar, devido a grande quantidade de fauna silvestre. De acordo com o calendário do parque, abril não é a melhor época, pois muitos animais já saíram rumo a outros destinos, uma vez que o periodo de reprodução destes se estende até meados de fevereiro. Por outro lado, não há tantos turistas. De qualquer forma, nesta época ainda deve ser possível avistar leões e lobos marinhos e, se tiver sorte, as orcas. Próximo a Trelew há também Punta Tombo, uma reserva e pinguinera, onde ainda é possível nesta época ver de perto os pinguins de magalhães.

Plaza Independência

Museu de Artes Visuais

Trelew é uma cidade com aproximadamente 110 mil habitantes, população formada por descentes Galeses e de tribos regionais. No centro da cidade, além da agradável Plaza Independência, é possível fazer um circuito para conhecer contruções do início do século passado, de origem galesa, entre elas um moinho de trigo que virou restaurante, e a própria secretaria de turismo que atende um uma casa de 1920. Fora isto é uma cidade como qualquer outra deste porte, bastante agitada.

Antiga estação de trem

A chegada a Trelew de avião proporcionou uma visao inédita: as estepes da Patagônia. Visto do céu, o solo árido, coberto esparsamente por pequenos arbustos de cor verde escuro, lembra um carpete gigantesco, estendido por centenas de quilômetros, acabando no Oceano Atlântico. Mesmo acostumado com os pampas gaúchos no Rio Grande do Sul, me surpreendi com um terreno tão plano.

Saguão do aeroporto de Trelew

Diorama montado no aeroporto de Trelew

Na chegada ao aeroporto, no saguão, já é possível ver um diorama com dinossauros. Isto porque em Trelew há um dos mais importantes museus paeontlógicos da América Latina, o Museu Egídio Ferruglio (MEF), nomeado a partir de um grande geólogo argentino pioneiro na exploração científica da Patagônia. Há também em uma cidade próxima, Gaiman, um parque paleontológico a céu aberto, onde se faz uma trilha para visualizar fósseis de diferentes eras.



Diorama montado no aeroporto de Trelew
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